4. Salvar uma vida
Bem, acho que já só falta cumprir três destas tarefas para tornar a minha vida um bocadinho menos insignificante, visto que já cumpri a última.
Foi no dia 24 de Junho, e só agora é que me lembrei que podia escrever isto no microgaitas.
Estava eu na estação do metro de Roma com muita fome e passa por mim uma senhora cega a reclamar com o país. "O Sócrates isto, o Sócrates aquilo, o Cavaco que é um gatuno" etc e tal.
O metro chegou (finalmente, estou mesmo esganadinha de fome). Apesar de estar a meio do comprido túnel da estação, a carrugem que pára à minha frente é a última.
A senhora cega está à minha frente e deixei-a entrar primeiro que eu. Com a ajuda do pauzinho que tinha na mão, a senhora tenta procurar a entrada para o metro. Encontra um espaço vazio, deve ser aqui a entrada para dentro do metro. NÃO! Mais um passo e a senhora caia para os carris, mas felizmente estava lá eu. Agarrei-a e conduzia à para dentro do transporte.
Mas isto tudo não acabou como uma daqueles cenas dignas de um Super Homem ou de um James Bond que depois de uma boa cena de porrada continuam com o fatinho impecável e incrivelmente bem penteados. Regressando ao dia 24:
Pronto é agora que eu entro, estou mesmo com fome. Pi pi piii. As portas fecharam e eu fiquei entalada. E a mim? Ninguém me ajuda? Não, as pessoas preferem ficar a ver uma rapariga entalada nas portas do metro, confortavelmente sentadas e de boca aberta com cara de parvas. Mais um esforçinho e- e- já está.
No dia seguinte, em vez de ter um fatinho impecável tinha dois braços roxos.
E pronto, mais um dia na pele de alguém com braços roxos.
Agora lembrei-me de uma coisa: eu já plantei uma árvore, a romanzeira que está no meu quintal.
Será que escrever num blogue é como escrever um livro? Vamos fingir que sim.
Só ainda não tive um filho. Tenciono deixar isso para mais tarde.



